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Porque “não fazer nada” em momentos de volatilidade é a melhor decisão?

Certamente já existiram alturas nas quais tiveste vontade de resgatar os teus investimentos só porque as notícias falavam em “volatilidade nos mercados”, “os mercados em queda”, “perdas acentuadas nas bolsas”… é normal! É normal que cada investidor receei o impacto de um período mais volátil nos seus investimentos, o que não é normal é que o faças no calor do momento e sem ponderar bem eventuais oportunidades que podem surgir precisamente em momentos como este.

Tomar decisões baseadas em emoções pode revelar-se prejudicial financeiramente. Investir é um projeto a longo prazo e é importante teres isso em mente.

O que a história nos ensina?

Apesar do momento atual (volatilidade nos mercados devido ao conflito entre os EUA, Israel e o Irão) não se assimilar aos mais recentes eventos de impacto económico e social, como foi a COVID-19, a verdade é que tal como na COVID-19 ninguém pode prever quando este conflito irá terminar e quais as consequências finais a longo prazo.

O que sabemos é que, a longo prazo, é melhor manter os investimentos durante os altos e baixos da economia, pois o crescimento do mercado de investimento tende a compensar os intervalos de volatilidade.

Este gráfico mostra o desempenho do MSCI World Index desde janeiro de 1990, com eventos marcantes em destaque.

Fonte: Refinitiv. Dados a 7 de abril de 2026.

Embora o desempenho passado não seja uma garantia para o desempenho futuro e os retornos de investimentos dependam sempre de quando se investe e de quando se desinveste, de um modo geral, a um período de recessão segue-se um período de crescimento. A longo prazo, a tendência geral é de crescimento.

Perceber o instinto humano

Consultar dados é muito diferente de ver o impacto nos nossos próprios investimentos. E quando as emoções estão à flor da pele, pode ser tentador tomar decisões reativas a curto prazo, e das quais nos podemos vir a arrepender no futuro.

Os investidores tendem a sentir mais significativamente a dor das perdas do que o prazer com os ganhos equivalentes. Este sentimento pode levar à venda quando o mercado está em queda, e gerar perdas reais.

Outro traço tipicamente humano é fazer o que os outros fazem. Assim, podemos ser influenciados a investir quando os preços são elevados, impulsionados pela procura, e que, racionalmente, têm pouca margem de crescimento.

Compreender as perdas e os ganhos

O ser humano tem um forte instinto natural de proteção, de fugir do que consideramos uma ameaça. Quando os mercados estão voláteis ou em queda, o instinto pode ser resgatar todo o investimento, ou parte dele.

Apesar de existirem circunstâncias pessoais que podem levar os investidores a acreditar que é a melhor medida a tomar, resgatar quando os mercados estão em queda pode significar perder parte do que se investiu. E adicionalmente pode ainda significar que o investimento deixa de tirar partido da recuperação, quando esta ocorrer.

Quando os preços do investimento descem, por vezes é possível investir e aproveitar a contração dos valores de mercado. Ainda que os preços do investimento possam registar mais quedas, a longo prazo, quando os mercados recuperarem, poderá juntar o investimento adicional ao retorno de investimento global.

Obviamente, o valor dos investimentos irá variar em função do momento de conversão do investimento em dinheiro, seja ele parte ou toda a sua carteira. Assim, poderás não reaver todo o investimento inicial se os valores de mercado não recuperarem a tempo.

Como devo agir em momentos de volatilidade?

Mais importante que agir em momentos de volatilidade, é o que fazemos antes mesmo de investir. É importante tomar medidas que permitam poupar para situações de emergência e necessidades imediatas antes de decidir investir. Esta ação pode ajudar a evitar investimentos desnecessários em momentos errados. Por isso, pode ser útil, ter o apoio de uma equipa de profissionais qualificados. 

Se investes num fundo com gestão do risco ou num fundo orientado para multiativos ou num serviço de gestão de carteiras, por exemplo, os gestores do fundo irão acompanhar os mercados de perto. À medida que as condições do mercado se alteram, estes ajustam o investimento para que continue em linha com o equilíbrio entre os riscos e os benefícios escolhidos para o mesmo.

Sabemos que reprimir o instinto de resgatar em momentos de volatilidade não é fácil. Mas, normalmente, compensa ignorar o ruído e a incerteza a curto prazo, mantendo a firmeza e o foco nos objetivos de investimento. Mas, claro que, há exceções. Se não tiveres a certeza ou se existirem preocupações relativamente à carteira de investimento, deves consultar o teu gestor de investimento para que te ajude a ponderar todos os fatores, com base nas circunstâncias individuais, e a tomar as decisões certas. Este pode ajudar-te a compreender os efeitos das flutuações de mercado no teu investimento, em função dos objetivos, prazos e o grau de risco que podes e estás disposto a correr.

Quando os mercados estão em queda, pode ser uma boa altura para reveres o balanço de poupança versus investimento. Sendo claro que as tuas metas e objetivos de investimento podem mudar em qualquer altura, o que significa que reveres a tua carteira regularmente é sempre uma boa ideia.