Atualidade e Notícias
Pressione Enter

 

 

Breaking News - 2 março 2026

Reação inicial do mercado após os ataques dos EUA e de Israel ao Irão.

Os Estados Unidos e Israel lançaram, no sábado, uma operação militar conjunta contra alvos no Irão, com o objetivo declarado de limitar as capacidades militares do país, em particular o seu programa de mísseis de longo alcance, e enfraquecer o regime — que, segundo relatos, consideram vulnerável na sequência das tensões internas registadas em janeiro. De acordo com as informações disponíveis, as infraestruturas energéticas iranianas não foram visadas e os ataques de retaliação do Irão também evitaram infraestruturas energéticas noutros países produtores de petróleo e gás.

A reação do mercado tem sido amplamente contida: o Brent sobe +8% para 78,80$/barril, após ter ultrapassado momentaneamente os 82$/barril nas primeiras horas de negociação. Os mercados acionistas asiáticos apresentaram uma resposta moderada, com o Nikkei a recuar cerca de -1,4%, enquanto o Shanghai Composite avança +0,5% e as ações australianas negoceiam praticamente inalteradas.

Nas negociações pré-mercado europeias, os principais índices apontam para quedas no intervalo de -1,5%/-2% (num contexto de ganhos acumulados de cerca de +5% em 2026), enquanto nos EUA, os futuros do S&P 500 caíram -1,2%. O índice de volatilidade VIX subiu, situando-se em 21,93 pontos.

Entre os ativos de refúgio, o ouro avança +2% para 5.380$/oz. A yield da obrigação do governo dos EUA a 10 anos recua ligeiramente para 3,96%, enquanto a yield do Bund alemão a 10 anos situa-se em 2,64%, num movimento de procura por ativos de maior qualidade.

Entre as potenciais respostas do Irão, o cenário que gera maior preocupação nos mercados é um encerramento efetivo do Estreito de Ormuz, dadas as implicações para os preços do crude. Cerca de 20% do consumo mundial de petróleo e aproximadamente 20% do comércio global de GNL (2,6% do consumo global de gás) transitam por este estreito. De acordo com os relatos mais recentes, o tráfego no Estreito foi suspenso por precaução pelas companhias de transporte marítimo, não tendo sido registados incidentes até ao momento.

Importa contextualizar a dimensão do risco. Ao contrário do choque energético desencadeado pela Rússia em 2022 — quando o país representava 40% do consumo de gás da Europa e 7% da oferta global de petróleo — o Irão opera há vários anos sob sanções internacionais. Atualmente, não exporta gás nem para a Europa nem para os EUA; a sua produção representa aproximadamente 1% do mercado global de petróleo e 0,4% do mercado de gás natural, tendo a China, a Turquia e o Iraque como principais destinos de exportação.

Sendo o petróleo uma fonte essencial de receitas para o Irão (cerca de 35 mil milhões de USD por ano), um encerramento total e prolongado do Estreito prejudicaria diretamente os seus próprios interesses e os dos seus parceiros comerciais. Embora este cenário não possa ser excluído, consideramos mais provável que quaisquer restrições efetivas sejam de natureza seletiva e temporária. Nesse caso, o impacto nos preços do crude poderá ser acentuado no curto prazo, mas dificilmente sustentável ao longo do tempo. Recorde-se que o episódio mais recente semelhante ocorreu em junho de 2025, provocando um aumento temporário dos preços do petróleo que foi posteriormente revertido rapidamente (o preço médio do Brent em 2025 situou-se nos 68$/barril). Adicionalmente, fontes da OPEP+ anunciaram este domingo um aumento da produção de 206.000 barris por dia para apoiar a oferta de crude.

Em qualquer caso, a crise no Médio Oriente representa um aumento do risco geopolítico global, o que historicamente se traduz num prémio de risco adicional exigido para os ativos de risco e numa maior volatilidade no curto prazo.

Neste ambiente de elevada incerteza, não podemos excluir episódios de volatilidade nos mercados, com os preços dos ativos a situarem-se temporariamente acima das médias recentes e a desviarem-se dos seus fundamentais de médio prazo. Em cenários desta natureza, torna-se particularmente importante manter um horizonte de investimento de longo prazo e evitar decisões táticas motivadas por ruído de curto prazo.

O nosso posicionamento continua a privilegiar a diversificação e a gestão ativa, permitindo-nos gerir estes riscos através da utilização ativa de estratégias de cobertura e de opções sobre ativos financeiros.

Estamos a acompanhar de perto os desenvolvimentos no Médio Oriente, bem como noutros focos geopolíticos, sendo estes riscos incorporados no nosso cenário central de investimento. Este cenário prevê uma economia global que continua a expandir-se, sustentada por fundamentais sólidos, políticas monetárias numa fase neutral e uma orientação orçamental expansionista, particularmente na Zona Euro. Este enquadramento continua a traduzir-se num crescimento robusto dos resultados empresariais, sustentando a nossa perspetiva construtiva para as ações no médio prazo.

Nas obrigações, mantemos uma preferência por crédito investment-grade, com um posicionamento orientado para durações mais curtas e elevada qualidade creditícia. Mantemos igualmente uma exposição diversificada a dívida soberana da Zona Euro e uma posição em ouro, refletindo as suas características defensivas e a sua capacidade de atuar como ativo de refúgio em períodos de tensão.

No mercado cambial, no âmbito da nossa preferência pelo euro, não excluímos a possibilidade de o dólar norte-americano beneficiar de apoios intermitentes num contexto de maior aversão ao risco.

Fonte: Bloomberg e Santander AM 2/3/2026 7:55h CET